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Nova Previdência será necessária daqui a três anos, avalia Nilton Molina

23/01/2020

 Presidente do Conselho de Administração da Mongeral Aegon, Nilton Molina, avalia que, em 15 anos, o país precisará migrar para um regime que garanta uma renda mínima para idosos e incapazes

 

A Previdência Social não deve se sustentar por muitos anos no Brasil, com ou sem reforma, avalia o presidente do Conselho de Administração da seguradora Mongeral Aegon, rebatizada como MAG Seguros, Nilton Molina. Aos 84 anos de idade, ele avalia que, em 15 anos, o país precisará migrar para um regime que garanta uma renda mínima para idosos e incapazes, bem diferente do sistema de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

 

Bem antes disso, outras mudanças devem ser feitas no sistema de aposentadorias e pensões, que acabou de ser revisado, com a promulgação da reforma da Previdência, em novembro de 2019. “Uma nova reforma deve acontecer daqui a três anos; depois, uma nova daqui a seis anos. Até chegar na previsão de que não vai mais ter Previdência Social. Vai ter um grande programa de renda mínima, que é para onde caminha o mundo”, afirmou, em conversa com jornalistas, no evento Magnext, organizado pela MAG Seguros no Rio de Janeiro, em 9 de janeiro.

 

Além disso, o benefício mensal garantido pelo Estado não vai passar de um salário mínimo (R$ 1.041, hoje), acredita Molina. É o que acontece, por exemplo, nos Estados Unidos, lembrou. “É uma boa notícia para os jovens, que têm tempo de fazer suas poupanças, e certamente uma má notícia para os velhos, que se dedicaram a gastar o dinheiro e não a economizar”, disse. A reforma, nas palavras dele, “era uma necessidade”, mas a situação ainda vai se agravar.

 

Insustentável

Molina não nega que a reforma nas regras de aposentadoria e pensão tenha sido necessária, já que o país caminha rapidamente para ter mais idosos do que jovens. Mas, mesmo com as correções feitas, ele não considera o sistema sustentável. “De modo geral, deu uma aparada na barba. Tirou alguns privilégios e vai surtir efeito daqui 30 anos 40 anos”, disse.

 

Na visão dele, a aprovação da reforma foi um bom sinal para investidores, de que “o país tem jeito”, e também para os jovens, que passam a entender que o Estado não conseguirá pagar benefícios para sempre. Os R$ 800 milhões que o governo afirma que economizará com a medida em 10 anos não faz tanta diferença a longo prazo. “Não é nada, com deficit daquele tamanho”, afirmou o executivo. O rombo da Previdência deve chegar a R$ 244,2 bilhões em 2020.

 

O executivo ressaltou que o insustentável regime de repartição, pelo qual os contribuintes pagam os benefícios de quem já está aposentado, foi mantido. E, no Brasil, ele tende a beneficiar os mais ricos em detrimento dos mais pobres, apontou. Um dos pontos mais preocupantes, na visão de Molina, é a dinâmica de funcionamento dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), dos servidores públicos.

 

Para Molina, “se tem alguma reforma que tem que ser feita e vai sangrar muito é essa reforma, desses salários e benefícios (do funcionalismo público)”. Como exemplo, ele cita os servidores vinculados ao Judiciário, que recebem aposentadorias ainda mais altas do que a média dos salários ganhos, que, em 2018, era de R$ 9,9 mil. Na aposentadoria, essas pessoas recebem R$ 17,9 mil.

 

De forma diferente do que acontece na iniciativa privada, os servidores públicos sobem na carreira mesmo que não se esforcem, apontou o executivo. “Se ele não fizer nada, deixar o paletó na cadeira, ele vai crescendo. Quando se aposenta, está com outro salário. Na iniciativa privada, infelizmente, você tem uma curva. Ganha menos, sobe, sobe, sobe, fica mais velho e cai. Depois se aposenta”, diz.

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