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Com preços em queda após redução de roubos, seguradoras de veículos devem investir no seguro intermitente

31/10/2019

 

 

A tendência de queda nos preços dos seguros de veículos no Rio, que veio a reboque da redução média de 23% nos registros de roubos de veículos no estado, abre caminho para as seguradoras apostarem em uma nova modalidade: o seguro intermitente, autorizado em agosto pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).

 

Também conhecida como “liga-desliga”, essa modalidade permite contratos com vigência reduzida e por períodos diferenciados. Na prática, permite a oferta de produtos feitos sob medida para as necessidades dos clientes. De acordo com Eduardo Dal Ri, presidente da Comissão de Automóvel da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), a cobertura intermitente já é uma realidade em países como os Estados Unidos, onde o cliente pode ativar e desativar o seguro em poucos cliques pelo seu smartphone. Confira, a seguir, uma bate-papo sobre o assunto.

 

Em que casos os seguros intermitentes se aplicam?

 

Esse tipo de seguro flexibiliza o tempo de duração da vigência e é focado na conveniência para o cliente. É conhecido popularmente como um seguro “liga-desliga”, ou seja, em vez de somente optar por uma proteção por um ano ou um mês, esse seguro pode ser válido por dias ou até mesmo minutos. Ele é ideal, por exemplo, para um segurado que não sai muito com o carro e só quer o seguro para sábado e domingo, por exemplo. Normalmente, é um seguro contratado com menos burocracia. Ele já é uma realidade em outros países, mas no Brasil não havia uma regulamentação, o que mudou com a circular 592 da Susep. A nossa expectativa é que agora as seguradoras utilizem essa nova possibilidade para inovar e oferecer produtos ainda mais adequados às necessidades dos segurados. Com certeza temos pela frente muita oportunidades para o setor.

 

Como é esse mercado no exterior?

 

A cobertura intermitente já é uma realidade em muitos países, como nos Estados Unidos, onde o cliente pode ativar e desativar o seguro em poucos cliques pelo seu smartphone. Ainda não é um seguro padrão nesses países, mas está se popularizando. Por causa desse nicho, muitas startups surgiram para, justamente, atender aos clientes que não necessitam de uma proteção de longa duração e querem mais flexibilidade. A Lemonade é um exemplo, com modelo ao seu modelo de contratação rápido e flexível.

 

O que o consumidor deve levar em conta ao escolher essa modalidade?

 

Importante ressaltar que ainda não temos muitas opções assim no mercado brasileiro, justamente porque agora é que essa opção foi regulamentada. Ao encontrar um seguro nesse modelo, o primeiro ponto é o consumidor avaliar por quanto tempo precisa proteger o seu bem. Se a necessidade for por tempos mais longos, talvez o ideal seja manter um seguro com vigência padrão. A vantagem do seguro intermitente é ter a proteção por um tempo pontual e, por isso, ter que “ligar e desligar” o seguro de forma frequente não é prático e pode, inclusive, ocasionar um esquecimento que afetará o orçamento desse cliente caso algo aconteça e o seguro não esteja vigente. Além disso, será importante estar atento a todas as excludentes do seguro para não ser pego de surpresa.

 

Qual a diferença para o seguro tradicional?

 

A principal diferença é a flexibilidade. No seguro intermitente, o cliente pode optar por um seguro de dias e, dependendo do bem e da situação, até de minutos. Já no seguro tradicional a vigência é, em geral, de um ano ou então mensal. Por isso, a escolha deve ser criteriosa, de acordo com a necessidade do segurado, levando em conta aspectos como utilização do bem e riscos envolvidos, como por exemplo, proteger por menos tempo que o ideal ou esquecer de contratar em determinado momento.

 

Esse modelo de seguro movimenta muitos recursos no exterior?

 

Com certeza. Nos Estados Unidos o seguro sob demanda movimenta mais de 100 milhões de dólares em investimento em iniciativas deste tipo.

 

Essa é uma forma de tornar o seguro mais acessível?

 

Ainda é cedo para responder a essa pergunta. O que podemos dizer é que ao permitir a flexibilização da vigência das coberturas a Susep amplia as possibilidades do mercado e incentiva o surgimento de iniciativas cada vez mais customizadas e inovadoras. Tudo isso representa um marco para o setor. Para os clientes é um ganho enorme, já que vai ao encontro de uma das principais necessidades deles: a personalização de produtos. Uma pessoa que antes não via ganho em proteger o seu carro porque sai de casa com ele poucas vezes ao mês, agora se sentirá mais motivada a contratar um seguro. Assim, é possível que a pessoas que antes não contratavam seguro passem a contratar, o que representa uma oportunidade para seguradoras e corretores.

 

*Eduardo Dal Ri, presidente da Comissão de Automóvel da FenSeg Foto: Divulgação/Solange Maced

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