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Risco cibernético abre mercado para corretor vender seguro especializado

23/10/2017

 

“A internet abre uma porta no seu computador para qualquer ataque malicioso”, explica Bruno Kelly, professor da Escola Nacional de Seguros, sobre o risco cibernético. O crescimento anual dos prejuízos com este tipo de ataque virtual no Brasil — que é o quarto maior alvo de hackers do mundo — criou um novo nicho para a atuação de corretores. O seguro contra as ameaças online foi regulamentado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), responsável por controlar e fiscalizar os mercados de seguros, previdência privada aberta, capitalização e resseguro.

 

— O seguro contra hackers, como gostam de chamá-lo, é um segmento relativamente novo. Ainda são poucos os alunos que têm esse viés de venda na escola. Muitos procuram carteiras que rentabilizam mais rapidamente — disse.

 

Sobre os ganhos de quem vende seguros contra crimes cibernéticos, Kelly explica que é difícil mensurar, mas garante que o mercado é bastante promissor.

 

— O preço do seguro tem relação direta com o risco. E no caso do risco cibernético, identificamos grande probabilidade e severidade, que é a gravidade das perdas envolvidas.

O seguro contra riscos cibernéticos é voltado para empresas de dois tipos: as que guardam digitalmente dados de terceiros e as que precisam proteger informações próprias ou podem ser prejudicadas de outras formas por falhas na internet, como lojas virtuais.

 

 

 

Há dois anos, o corretor de seguros Kleber Borges, de 40 anos, dono da Multibrokers, ingressou nesta área.

 

— No início, os diretores das empresas desconheciam o assunto ou não davam muita importância a ele. Hoje, trabalho com seguros de condomínios, riscos industriais, transportes, automóveis e náuticos. Os riscos cibernéticos equivalem a 15% da minha receita atual.

Um enorme campo a explorar

 

Os corretores ainda têm um enorme campo a explorar. Somente 1% das empresas brasileiras já adquiriu o produto. Líder da prática de consultoria de risco da Marsh Brasil, Carlos Santiago explica o motivo:

 

— A procura pela corretora tem aumentado, principalmente por parte de empresas de data center, e-commerce e pagamentos via web. Pesquisas indicam que sistemas invadidos e informações roubadas seguirão como os grandes riscos até 2020. Mesmo diante desse cenário, as empresas procuram investir somente em sistemas de segurança com redundâncias, a fim de minimizarem a exposição, preterindo o seguro — disse.

 

Em outros países, como os Estados Unidos, a aquisição deste tipo de seguro já chegou a 20% das companhias.

 

— Prospectar é identificar um cliente em potencial. Se minha intenção é vender o seguro contra riscos cibernéticos com viés de responsabilidade civil (para reparar o dano que uma pessoa causa a outra), o cliente que procuro é aquele que guarda dados de outros. Para conhecê-lo, preciso fazer uma busca na internet, identificar empresas da área e responsáveis por este setor dentro delas, ligar, montar apresentação… — disse Kelly.

 

Área médica, de finanças, educação ou governamentais contratam mais

 

Segundo Jorge Luis Oliveira, sócio da RBM Corretora, as primeiras empresas a contratarem os serviços são aquelas que já tiveram alguns problema. E ele observa um ranking de setores.

 

— Estou no ramo de seguros há 35 anos e comecei como a maioria, com seguros de automóveis e, depois, residenciais. Hoje, estou mais voltado para riscos financeiros. Ameaça cibernética é um produto muito novo no Brasil, com poucas apólices emitidas. Mas há uma tendência de crescimento, pois, somente no ano passado, o país teve R$ 7 bilhões de prejuízo. Quando o ramo é novo, o custo do seguro é muito alto e, às vezes, o empreendedor acha que não compensa. Um dos problemas de vender no país é o custo alto, mas a tendência é de queda. A maioria das empresas que estão procurando esse tipo de cobertura sofreu com a invasão por hackers ou com informações vazadas. E os setores com maior procura, por enquanto, são a área médica, as instituições financeiras, o ramo de educação e as entidades governamentais.

 

Não há crise na sala de aula

 

Não existem segmentações na formação básica do corretor de seguros no país. O Curso de Habilitação para Corretores de Seguros da Escola Nacional de Seguros demora cerca de nove meses e é dividido em duas fases: a primeira focada em capitalização, vida e previdência; a segunda, em seguros patrimoniais, o que engloba a proteção cibernética.

 

Há dois anos, o corretor de seguros Kleber Borges, de 40 anos, dono da Multibrokers, ingressou nesta área.

 

— No início, os diretores das empresas desconheciam o assunto ou não davam muita importância a ele. Hoje, trabalho com seguros de condomínios, riscos industriais, transportes, automóveis e náuticos. Os riscos cibernéticos equivalem a 15% da minha receita atual.

 

Um enorme campo a explorar

 

Os corretores ainda têm um enorme campo a explorar. Somente 1% das empresas brasileiras já adquiriu o produto. Líder da prática de consultoria de risco da Marsh Brasil, Carlos Santiago explica o motivo:

— A procura pela corretora tem aumentado, principalmente por parte de empresas de data center, e-commerce e pagamentos via web. Pesquisas indicam que sistemas invadidos e informações roubadas seguirão como os grandes riscos até 2020. Mesmo diante desse cenário, as empresas procuram investir somente em sistemas de segurança com redundâncias, a fim de minimizarem a exposição, preterindo o seguro — disse.

 

Em outros países, como os Estados Unidos, a aquisição deste tipo de seguro já chegou a 20% das companhias.

 

— Prospectar é identificar um cliente em potencial. Se minha intenção é vender o seguro contra riscos cibernéticos com viés de responsabilidade civil (para reparar o dano que uma pessoa causa a outra), o cliente que procuro é aquele que guarda dados de outros. Para conhecê-lo, preciso fazer uma busca na internet, identificar empresas da área e responsáveis por este setor dentro delas, ligar, montar apresentação… — disse Kelly.

 

Área médica, de finanças, educação ou governamentais contratam mais

 

Segundo Jorge Luis Oliveira, sócio da RBM Corretora, as primeiras empresas a contratarem os serviços são aquelas que já tiveram alguns problema. E ele observa um ranking de setores.

 

— Estou no ramo de seguros há 35 anos e comecei como a maioria, com seguros de automóveis e, depois, residenciais. Hoje, estou mais voltado para riscos financeiros. Ameaça cibernética é um produto muito novo no Brasil, com poucas apólices emitidas. Mas há uma tendência de crescimento, pois, somente no ano passado, o país teve R$ 7 bilhões de prejuízo. Quando o ramo é novo, o custo do seguro é muito alto e, às vezes, o empreendedor acha que não compensa. Um dos problemas de vender no país é o custo alto, mas a tendência é de queda. A maioria das empresas que estão procurando esse tipo de cobertura sofreu com a invasão por hackers ou com informações vazadas. E os setores com maior procura, por enquanto, são a área médica, as instituições financeiras, o ramo de educação e as entidades governamentais.

 

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